O Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo ganhou, ontem, o estatuto de Património Mundial, fruto da sua inclusão na lista de bens e sítios culturais sob a protecção da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Peritos da UNESCO na 41 ª Sessão do Comité do Património Mundial, que decorre na Polónia
Fotografia: Edições Novembro |

A candidatura de Mbanza Kongo teve votação unânime dos membros do Comité do Património Mundial, reunidos de 2 a 14 em Cracóvia, na Polónia.
A inclusão da antiga capital do Reino do Kongo acontece no âmbito da 41ª sessão do Comité do Património Mundial. que decorre na cidade polonesa.
Vinte e nove anos depois do lançamento da primeira \”pedra\” do projecto Mbanza Kongo, com a realização da I Mesa Redonda Internacional, em Novembro de 1988, os angolanos desfrutam a inscrição de um bem na lista de Património Mundial da Humanidade, com a anuência do Comité do Património Mundial da UNESCO da inclusão do Centro Histórico de Mbanza Kongo.
O projecto para a inscrição reservou, entre outras, a componente científica para a descoberta dos elementos materiais e imateriais para fundamentar o valor excepcional e universal desta capital do antigo Reino do Kongo.
Esta etapa incluiu as acções de pesquisa sobre o património imaterial, o levantamento arquitectónico dos edifícios mais emblemáticos e históricos da cidade, seu estudo e inventariação para posterior classificação.
O estudo documental que foi feito na França, Bélgica, Alemanha, em Portugal e no Estado do Vaticano, que detêm vários documentos inéditos sobre o Reino do Kongo.
Os arquivos serviram de valor acrescentado, quer para argumentação do dossier de candidatura apresentado a UNESCO, quer para confirmar o valor extraordinário de Mbanza Kongo.
Entre as acções desenvolvidas pela coordenação do projecto, que teve na arqueóloga Sónia Domingos como a principal condutora do processo, há ainda a destacar as pesquisas sobre a tradição oral local que permitiram a delimitação do Centro Histórico de Mbanza Kongo, através das conhecidas 12 fontes de água que circundam esta localidade e que estão ligadas ao momento da fundação do Reino do Kongo.

Plano de Gestão

Concluída a terceira fase dos trabalhos de escavações arqueológicas, os especialistas viraram as baterias para mais duas etapas, Fotografia Aérea (retratos de vários ângulos da cidade de Mbanza Kongo e das áreas de escavações) e o Plano de Gestão (tratamento do texto de fundamentação, inventariação e catalogação final das praças recolhidas e a serem enviadas para laboratórios internacionais ais para a sua comprovação científica).
Nesta fase, os especialistas foram a busca dos estudos feitos em França,

Bélgica, Alemanha, Portugal e no Estado do Vaticano, respectivamente, que detêm vários documentos inéditos sobre o Reino do Kongo, de grande valor para a argumentação do \”dossier\”, e que provam o valor excepcional e extraordinário de Mbanza Kongo.

Entrega do “dossier”

A 30 de Janeiro de 2015 entra a recta final, com a entrega do dossier à UNESCO, através do Centro do Património Mundial. Para o efeito, o Governo Angolano, através de uma equipa do Ministério da Cultura encabeçada pela directora do Instituto Nacional do património Cultura, Maria da Piedade Jesus, e da coordenadora científica do projecto, Sónia Domingos, coadjuvados pelo embaixador de Angola na UNESCO, Sita José, dão entrada nos escritores da UNESCO, em Paris do processo de candidatura.
Entregue a uma equipa de especialistas, o processo é submetido a uma primeira avaliação, na qual resulta uma resposta com orientações para a conformação do “Dossier Mbanza Kongo-Cidade a Desenterrar para Preservar”. As escavações e estudos arqueólogos marcaram a primeira fase do processo que culminou com a entrega do dossier.

  Histórico da antiga capital do Reino do Kongo

Desde a fundação do Reino do Kongo,  no Século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a sua capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte, e como tal o centro das decisões.
No Século XVII, Mbanza Kongo foi a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes nativo e quatro mil europeus. Com o seu declínio, a cidade que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro”, transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo e albergou as Repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.
Com uma superfície de 7. 651 quilómetros quadrados, Mbanza Kongo é limitado a norte com o município do Kuimba e pela RDC, a sul e a este com a província do Uíge e a oeste com os municípios do Tomboco e Nóqui. Com uma população estimada em 155.174 habitantes (dados do último censo), a cidade de Mbanza Kongo possui cinco bairros, nomeadamente Sagrada Esperança, 4 de Fevereiro, 11 de Novembro, Álvaro Buta e Martins Kidito.
No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída uma igreja católica Catedral de São Salvador do Congo ,sendo a mais antiga da África Sub-Saariana, o nome da igreja no local é Nkulumbimbi.

 

FONTE: SAPO

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