Inicio ANGOLA Ativista angolano relança Observatório da Imprensa para monitorizar comunicação social

Ativista angolano relança Observatório da Imprensa para monitorizar comunicação social

105
0
O ativista angolano Domingos da Cruz relançou hoje o Observatório da Imprensa, um projeto criado em 2015 para monitorizar o desempenho da comunicação social do país, interrompido devido à sua prisão no mesmo ano.

Em 2015, Domingos da Cruz, que foi detido em junho daquele ano com outros 16 ativistas angolanos e cerca de um ano depois condenados pelos crimes de atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, preparava-se para o início de avaliações, através de pesquisas e análises da situação da imprensa em Angola.

Segundo Domingos da Cruz, o Observatório da Imprensa, um site de Internet, guia-se pelos critérios do direito internacional e direitos humanos sobre a democracia, liberdade de expressão e de imprensa, assim como as diretrizes da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre uma imprensa livre, independente e ao serviço do desenvolvimento humano.

O projeto é composto essencialmente por uma equipa de voluntários, explicou Domingos da Cruz, e “sem qualquer fonte de financiamento”.

O ativista referiu que, sem preocupação com a periodicidade, o projeto pretende realizar análises individuais, e, caso haja algum apoio financeiro, estudos e análises bem mais alargadas, em forma, por exemplo, de relatórios sobre o estado da imprensa angolana.

O Observatório da Imprensa é composto por vários voluntários, em diferentes partes do mundo, nomeadamente da Guiné-Bissau, de Moçambique, Brasil, Alemanha e Itália, maioritariamente docentes universitários nesses países.

De acordo com o ativista e professor universitário, essas pessoas vão “ajudar a tornar o projeto de qualidade”, com foco essencialmente nos media nacionais.

“Gostaríamos de fazer relatórios, estudos específicos, para analisar o comportamento da imprensa, como se fosse uma monitorização, ver se efetivamente a imprensa se está a comportar tal como ela deve ser num país normal, mas para isso é preciso que haja financiamento”, disse Domingos da Cruz.

“Não havendo, como é o caso da situação em que o observatório se encontra, deixaremos que os seus membros individualmente ou outras pessoas que queiram participar no projeto façam análises em forma de artigos, por exemplo, mas que sejam artigos de fundo”, acrescentou.

Em Angola, integram o projeto, além de Domingos da Cruz, os professores Nelson Domingos, Fernando Macedo, Muata Sebastião, o padre Pio e o jornalista Sedrik de Carvalho.

Numa análise ao estado atual da imprensa angolana, o ativista referiu que Angola continua a ser um país que ainda não responde àquilo que são as exigências democráticas.

“Por isso é que temos que trabalhar muito para que possamos ter um quadro diferente, mas parece haver um certo otimismo, sinto isso, há pessoas hoje que falam sobre a possibilidade de haver um quadro diferente e espero que isso venha a acontecer para o bem de Angola”, disse, frisando, contudo, que o país está “muito longe daquilo que são as exigências, bastando comparar com órgãos de outros países”.

A título de exemplo, o ativista referiu que é recomendável que os países tenham jornalistas independentes, que criem órgãos para monitorizar a imprensa e ter um código de ética.

“Para que ela mesma monitorize a sua ação e não entidades externas a fazer, por exemplo, no contexto de Angola, será a ERCA (Entidade Reguladora da Comunicação Social) a monitorizar o comportamento dos jornalistas, isso vai contra as exigências internacionais e porque nós sabemos que a ERCA não será composta pela classe jornalística, mas sim por elementos ligados às instituições do Estado ou dos partidos, tudo isso põe em causa aquilo que são as exigências internacionais para que se possa de facto ter uma imprensa livre”, considerou.

Atualmente, são já parceiros internacionais do Observatório de Imprensa, as organizações norte-americanas “Friends of Angola” e a “National E. Democracy”, a Amnistia Internacional, e a nível local a Associação Construindo Comunidades (ACC), liderada pelo padre Pio.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here